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FebreAmarelaSiteNo início desta semana, o Ministério da Saúde atualizou as informações repassadas pelas secretarias estaduais de Saúde sobre a situação da febre amarela no País. No período de monitoramento, de julho de 2017 a 14 de janeiro deste ano, foram confirmados 35 casos de febre amarela, sendo que 20 vieram a óbito. Ao todo, foram 470 casos suspeitos, sendo 145 ainda em investigação e 290 descartados.

Com esses dados, o ministério reforçou a importância da vacinação nos municípios com recomendação. São eles: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Dose fracionada

Até março, 77 municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia realizarão campanha de vacinação com doses fracionadas e padrão contra a febre amarela. O objetivo é evitar a expansão do vírus para áreas próximas de onde há circulação atualmente. No total, 21,7 milhões de pessoas desses municípios deverão ser vacinadas na campanha, sendo 16,5 milhões com a dose fracionada e outras 5,2 milhões com a dose padrão. A adoção do fracionamento das vacinas é uma medida preventiva que será implementada em áreas selecionadas, durante período determinado de 15 dias.

A estratégia de fracionamento da vacina é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando há aumento de epizootias e casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional e que não tinham recomendação para vacinação anteriormente.

A dose fracionada tem a mesma eficácia da dose padrão, de acordo com estudos do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos/Fiocruz). Ela é absolutamente segura. A proteção comprovada é de, até o momento, oito anos. Depois disso, caso os estudos apontem a necessidade de nova dose, as pessoas serão convidadas para a renovação da vacinação contra a febre amarela. Essas pessoas serão identificadas no momento da vacinação, possibilitando esta convocação, se necessária.

A culpa não é dos macacos

Com o atual surto de febre amarela no Brasil, além da preocupação com a doença, um outro dado tem sido alarmante: os atentados contra os macacos, que assim como os humanos, são vítimas.

De acordo com o Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB/Fiocruz), os macacos são sensíveis ao vírus da febre amarela e a morte dos animais pela doença é um alerta aos órgãos de saúde sobre a necessidade de vacinação da população humana nos arredores. “Esses animais, assim como o homem, são hospedeiros do vírus e não reservatórios da doença. Os vírus ficam vivos neles por um período de tempo muito curto. Os mosquitos silvestres são os responsáveis pela manutenção do vírus na natureza. Portanto, matar macacos para acabar com o vírus não só é uma estratégia ineficaz, como pode agravar o quadro de risco para a população”, disse a diretora da unidade, Carla Campos, em entrevista noticiada no site do ICTB.

Em razão disso, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) recomenda que, ao encontrar macacos mortos ou caídos no solo e/ou notadamente fragilizados, não manipulem os animais, pelo risco de contaminação por outras doenças (não pelo vírus da febre amarela). Deve-se comunicar imediatamente às secretarias municipais e estaduais de Saúde e/ou Delegacias do Ministério da Saúde, responsáveis por analisar os casos e investigar a circulação do vírus da febre amarela. No caso de os macacos estarem vivos, não capturar, não alimentar, não retirar do seu hábitat, não translocar para outras áreas, não agredir e, muito menos, matar.

Mais informações no site do Ministério.

*Com informações do Ministério da Saúde e do ICTB/Fiocruz